domingo, 27 de setembro de 2009

#32 - "Rifa-se Um Coração"

Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que, na realidade, está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha
que Tim Maia estava certo quando escreveu
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista... Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar. [...]
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto. [...]
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armadura
se deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro
na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi
este louco coração de criança que insiste em
não endurecer e se recusa a envelhecer". [...]

Clarice Lispector

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sou Saudade

Rosa, serás a mais bela dentre todas do jardim.

Rosa, serás a mais perfumada rosa que habita o meu coração.

Rosa, forte, vibrante, luminosa... se tu te escondes,

nem sei o que sobra de mim.

Vinhas sempre cantarolando, cheia de graça.

Quando chegavas, trazia consigo um amor, um sorriso,

um abraço, um beijo ou um simples segurar de mãos.

E sentada ou não na calçada, de canudo e canequinho,

lembrarei de ti.

Lembrarei de ti pela manhã, tarde,

noite ou madrugada.

Em dias de sol, dias de chuva, dias de vento,

todos os dias.

Na hora da novela, nas histórias/ anedotas de que

gostavas tanto.

Lembrarei de ti ao olhar uma foto, ao fechar os olhos,

ao viver.

Eu não te esquecerei em um só segundo da minha vida.

Eu te amarei.

Para minha querida avó Rosa Alice da Frota Cavalcante

- (06/09/09) Marina Cavalcante de Queiroz Machado.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

#31- escrevo.

Sem título e sem um porquê
me ponho a escrever, enobrecer-me,
exorcizar...
E, afinal de contas, tenho um porquê.
Aquele eu-lírico sedento por paixão,
por um verso de rima rica, uma chave
de outro, então.
Aquele desejo escondido e difícil de
resistir...
- Quando se vê, já vão dez versos -
É o desejo de escrever,
que por si só já é o porquê. =)

MarinaC.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

#30 - Pra quê?

Pra quê tanta tolice?
Perda de tempo é tristeza.
Verso sem rima, canção sem amor.
Sonho sem riso, dia sem flor.


MarinaC.