quinta-feira, 22 de julho de 2010

#67 - com gosto de mel

Um contador de causos e acasos. Folião de raça, nunca parava.
Um exímio vivant. Grande amigo, filho, pai, marido e professor.
Ou melhor, educador. Teu sorriso e teus conselhos, ouro de mina.
Não poder mais te ver e ouvir? Sina. Mas, cá dentro você vive.
E vive forte. E vive destemido. Uma vida sincera e livre de quaisquer
conflitos. Plenos e eternos serão os momentos compartilhados,
as lembranças deixadas e as lições aprendidas. - Tão repentino,
tão cruel! Por quê? - Peço que, junto ao Pai, você descanse e possa
nos iluminar. Budy, someday we'll meet...


- ah, como eu queria não ter motivos para estar escrevendo agora!

22/07/10 - MarinaC.

terça-feira, 13 de julho de 2010

#65 -de'um'eu

Desabafo

[...] acho mesmo que me escondo debaixo das impressões aparentes
do meu rosto. um sorriso tão convincente que se exibe! por detrás
um cheiro, um perfume, um beijo, um gesto, tudo ainda tão presente
que o meu pensar se perde entre as lembranças e, perdida, eu não
busco me achar. acredita? não procuro socorros. eu chego a sufocar
num mar de passado. e passado, eu sei, fará do meu presente um erro,
totalmente equivocado. mas, que fazer se o peito insiste em não
desaguar? é de tempo, é de tempo (uns dizem) que eu preciso. cabeça,
tronco e membros buscam a superfície. buscam não uma ilha.
mas, TERRA. cravejado de emoções, o peito... cravejado de saudade.
um peito que implora atenção. um corpo necessitado de razão.
pois, se não for assim, continuará em aspecto deplorável. o sorriso?
''válido por 30 segundos''. e aí?

à noite, a voz da consciência alumia:
esquece as regras! esquece o medo!

te permite de novo errar!!!

13/07/10 - MarinaC.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

#63 - palavras ao vento

A alma saiu aflita
O coração ficou só
O peito em movimentos bruscos
Ia e vinha
Murchando e reacendendo
Profundos batimentos
De um ser cuja alma pôs-se a vagar
Mais um pouco, sente a água no corpo
Ajoelha-se em frente a pia
E abre os braços
Como querendo cura
Como querendo redenção
Como procurando o abraço teu
Como querendo renovação
[Água com açúcar
Nem sempre resolve
Mas, sempre vale a tentativa]
No meio da noite
O pensamento
Vagando
Feito cachorro
Coração vagabundo
A te procurar
No meio da noite
Os olhos enchem-se de lágrimas
O peito inunda
O corpo imerge
E valendo-se de música, canta
Ainda que choroso
Beiçando a solidão
Debaixo do chuveiro
Um conselho que resolvera seguir
Disseram-lhe que as águas renovam
E num é que ali mesmo pôs-se a sorrir?
As lágrimas
Ah, as lágrimas!
Confudiram-se com a água
A água já não molhava
O choro que me inundava
Meu pranto que não parava
No meio da noite
Cessou
Era a minh'alma que chegava...
[E, enfim, será que não foi o açúcar
com a água?]

05/07/10 - MarinaC.