segunda-feira, 5 de julho de 2010

#63 - palavras ao vento

A alma saiu aflita
O coração ficou só
O peito em movimentos bruscos
Ia e vinha
Murchando e reacendendo
Profundos batimentos
De um ser cuja alma pôs-se a vagar
Mais um pouco, sente a água no corpo
Ajoelha-se em frente a pia
E abre os braços
Como querendo cura
Como querendo redenção
Como procurando o abraço teu
Como querendo renovação
[Água com açúcar
Nem sempre resolve
Mas, sempre vale a tentativa]
No meio da noite
O pensamento
Vagando
Feito cachorro
Coração vagabundo
A te procurar
No meio da noite
Os olhos enchem-se de lágrimas
O peito inunda
O corpo imerge
E valendo-se de música, canta
Ainda que choroso
Beiçando a solidão
Debaixo do chuveiro
Um conselho que resolvera seguir
Disseram-lhe que as águas renovam
E num é que ali mesmo pôs-se a sorrir?
As lágrimas
Ah, as lágrimas!
Confudiram-se com a água
A água já não molhava
O choro que me inundava
Meu pranto que não parava
No meio da noite
Cessou
Era a minh'alma que chegava...
[E, enfim, será que não foi o açúcar
com a água?]

05/07/10 - MarinaC.

5 comentários:

  1. Poxa, lindíssimo!
    E sempre é tempo de renovar, de ir mudando e voltar a ser o que era antes para poder mudar de novo e ficar num ciclo de mudanças... ou permanecer, quem sabe.
    Todos temos possibilidades várias, querendo, nós podemos.
    Beeeijos e abraços!!
    =]

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  2. A água também faz bem para o coração!!!!


    Lindo poema, um dos seus melhores. Fiquei encantada!!

    Beijos

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  3. otimo marina! mto bom mesmo, gostei. ce tá evoluindo nas poesias hein? rs

    cada vez melhor hehe

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  4. Marina... é uma delicia ler-te!!!

    BeijO
    AL

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